A literatura nunca foi (e jamais será) neutra. Quem escreve, lê, edita ou publica está tomando uma posição diante do mundo, goste disso ou não. No Escrever Literatura, acreditamos que a ilusão da isenção em momentos decisivos da nossa história é pura besteira de quem não tem coragem de dar a cara. Quando o destino da democracia e da própria dignidade humana está em jogo, o silêncio não é postura editorial, muito menos pode se esconder debaixo do tapete do decoro “profissional”; silêncio é cumplicidade.
É por isso que, neste segundo turno, o Escrever Literatura escancara sem rodeios o seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. O nosso lado está muito bem definido: o compromisso com os livros só faz sentido se houver, antes de qualquer coisa, um compromisso real e inegociável com a justiça social.
1. Povo faminto não compra livro
Vamos ser diretos: para abrir um livro, a pessoa precisa ter o que comer no prato. Ler exige tempo, foco e cabeça fria, coisas que simplesmente não existem quando o estômago está roncando de fome. Nenhuma imaginação sobrevive à miséria.
A recente saída do Brasil do Mapa da Fome não é só um indicador frio em relatório técnico; é a política cultural mais urgente que este país já viu nos últimos anos. Garantir comida na mesa da classe trabalhadora é a única forma de devolver a dignidade para que o povo possa estudar, frequentar bibliotecas, criar e escrever a própria história. Não existe mercado editorial forte ou literatura viva onde reina a miséria. Quem diz que ama os livros mas fecha os olhos para a fome do vizinho tá mentindo para si mesmo.
2. A literatura que a gente lê e defende diz tudo
A urna pode até ser secreta, mas o país que a gente quer construir fica estampado naquilo que a gente lê, escreve e defende. Histórias que acolhem a diversidade, que preservam a nossa memória, que respeitam a ciência e dão voz a quem sempre foi calado não nascem debaixo do cassetete do autoritarismo.
Votar no Lula é garantir o mínimo: um ambiente democrático onde a cultura possa respirar sem ter que pedir licença. É garantir financiamento público para que autoras e autores periféricos, negros, indígenas, mulheres e a comunidade LGBTQIA+ tenham verba, palco e liberdade para contar suas vivências sem medo de censura ou perseguição ideológica.
3. Onde a cultura respira, a gente escreve o futuro
A conta deste segundo turno é simples: de um lado tá a barbárie do descaso; do outro, a chance de reconstruir a dignidade do nosso país. O projeto do Lula entende que cultura não é perfumaria de elite, mas sim um direito básico e uma ferramenta de libertação popular.
Nós votamos no Lula pela arte, pela memória, pela ciência e pelo fim desse abismo social. Votamos no prato cheio porque só assim o livro vai estar, de fato, aberto nas mãos de todo mundo. Onde a justiça social avança, a literatura finalmente floresce, e é exatamente essa história que a gente faz questão de continuar escrevendo.

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